Antilha


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 O Brasil dos outros 500


Capital: Anseto (120.000 h); População: 13.750.000 (estimativa para 1780); Maiores cidades: Anna (31.000 h), Antioul (25.000 h), Anselli (21.000 h), Ansolli (18.000 h), Ansoldi (12.000 h) e Cori (11.000 h). Área: 221.355 km²; Produto Interno Bruto: 96.000 contos; Renda per capita: 7$000; Moeda: solidus (S), equivalente a $600; divide-se em 15 grossi, 30 denarii ou dinheiros, 60 oboli ou 120 quadrantes; Línguas: o latim é a língua oficial, mas apenas uma minoria letrada o conhece; a língua mais difundida é o antilhano, língua neolatina falado por 80% da população; derivada do latim falado na Península Ibérica no século VIII, seu vocabulário foi muito influenciado pelas línguas indígenas do mar do Caribe. Os indígenas falam também as línguas taíno, caribe e guanahatabey (15%) e parte dos descendentes de africanos falam ioruba, jeje ou umbundu (5%). Grupos Étnicos: brancos (5%), mestiços (50%), indígenas (25%), africanos (20%). Religiões: catolicismo antilhano 80%, cultos africanos 10%, xamanismo indígena 10%; alguns cultuam discretamente antigos deuses celtas e nórdicos. Chefe de Estado: Rei Leovigildo II. Chefe de Governo: comes scanciorum, Hermangildo de Antioul. Pesos e medidas: Sistema tradicional romano, baseado em pés (29,6 cm), libras (327,5 g) e sextários (0,546 litros). Calendário: juliano de 365 dias, que além de estar defasado em 11 dias do calendário gregoriano usado na Europa e no Império Luso-Brasileiro, inicia o ano em 25 de março do calendário juliano (5 de fevereiro do calendário gregoriano).

Território: o Reino de Antilha governa as grandes ilhas de Quisqueya ou Antilha; Borinquén ou Roullo; Cubanacán ou São Atanagio e Jamaica ou Tanmar, além do arquipélago das Bahamas. Divide-se em sete províncias, subdivididas em 40 dioceses ou condados.

O centro cultural, político e econômico é a cidade de Anseto, em Antilha, cuja economia se baseia no comércio regional e no artesanato. A zona rural dedica-se ao cultivo de algodão, milho, arroz, feijão e açúcar e à criação de gado bovino, ovino e eqüino. Há amplas zonas selvagens nas colinas do interior, onde ainda se refugiam indígenas livres e quilombos de escravos fugidos.

O povo: A elite militar e religiosa do Reino é formada por uma nobreza que se considera de puro sangue visigodo (mas está visivelmente mestiçada, inclusive com indígenas) e representa 0,5% da população.

Cerca de 2% dos antilhanos constituem a classe dos bucelários – também considerados descendentes de visigodos, mas não nobres, constituem parte da classe média urbana, os escalões inferiores do exército e da marinha e o grosso dos guardas e jagunços dos grandes proprietários rurais.

Outros 10% são os plebeus ou colonos – teoricamente livres, trabalham a serviço da nobreza, a menos que sejam artesãos e funcionários urbanos ou tenham chegado a se incorporar ao clero (2% da população). São considerados, na maioria, mestiços de europeus e indígenas.

Cerca de 2% constituem a classe dos nitaínos – descendentes de nobres indígenas transformados em capatazes semi-livres da maioria servil.

A massa do povo antilhano (50%) é constituída de naboris, ou servos – descendentes de índios mais ou menos mestiçados e assimilados à civilização antilhana, embora muitos conservem a língua taíno e alguns também vestígios do seu xamanismo ancestral. Dividem-se em servi ministeriales (artesãos domésticos) e servi mancipii (trabalhadores rurais).

Outros 30% são escravos descendentes de africanos ou indígenas pouco assimilados. Podem ser comprados e vendidos, mas gozam de alguma proteção legal: não podem ser punidos por seus senhores sem processo público e suas famílias não podem ser dispersadas. De forma geral, sua situação é melhor que a dos escravos dos holandeses.

O restante da população (quase 5%) é constituído de índios ou escravos rebeldes, refugiados nas matas do interior.

O índice de alfabetização é de aproximadamente 5%, um dos mais baixos do mundo. Há uma universidade em Anseto, cujos métodos são medievais: os alunos aprendem um currículo básico de gramática, lógica, retórica, geometria, aritmética, astronomia e música, para depois estudar sob uma das faculdades profissionais de medicina, direito e teologia. A tecnologia é praticamente medieval. Apenas o Rei, sua guarda pessoal e sua marinha têm autorização para usar armas de fogo. O uso de máquinas a vapor é praticamente desconhecido.

Governo: O Rei de Antilha é, ao mesmo tempo, um príncipe segundo o Direito Romano e um suserano feudal segundo o costume visigodo. É assessorado por um conselho de Estado chamado aula regia, constituído por representantes do clero e pelos principais oficiais da corte: comes thesaurorum (almoxarife real e ministro da Fazenda); comes patrimoniorum (ministro do Interior); comes notariarium (ministro da Justiça e procurador-geral); comes spathiorum (chefe da guarda do Rei); comes scanciarium (mordomo e chanceler); e comes exercitus (ministro da Guerra).

Seis duques governam as províncias em nome do rei, secundados por condes (que administram pequenas regiões) e vilicos (regedores de aldeia). Esses cargos são semi-hereditários: a posse depende de confirmação (vitalícia) pelo Rei. Os impostos são arrecadados com base na propriedade de terras (tertiae romanorum) e por cabeça (humana capitatio). Duelos, se autorizados pelo rei, são uma maneira legal de resolver divergências entre nobres.

A Igreja Antilhana é poderosa. Chefiada por um conselho de sete arcebispos, tem um controle quase total da educação e da cultura letrada e é a única via de ascensão social aberta a plebeus. Além de treinar a burocracia estatal e educar a maior parte de seus quadros, participa e influi poderosamente na aula regia e em todos os organismos estatais. O ressentimento contra o poder da Igreja tem alimentado a sobrevivência de um culto pagão nórdico – oficialmente considerado demoníaco – entre a pequena nobreza e os brucelários.

Avisos aos navegantes: O maior risco para os viajantes está na atitude extremamente reacionária do governo antilhano em relação à introdução de novidades científicas e tecnológicas sem autorização. Mesmo os estrangeiros necessitam de um dispendioso e raramente concedido salvo-conduto do Rei para portar armas e instrumentos modernos. Livros são geralmente tolerados, por se considerar que não têm repercussão sobre as massas analfabetas, mas tentativas de instruir um servo ou escravo podem ser severamente punidas.

Os quilombolas e selvagens do interior podem representar um risco para exploradores; há boatos sobre poderosos feiticeiros e xamãs com grandes poderes entre eles e algumas tribos de indígenas caribes mantêm costumes canibais. Supostamente, também há bruxos e bruxas entre os bucelários que, condenados pela Igreja, mas protegidos por nobres simpatizantes, cultuam discretamente os deuses nórdicos. Muitos camponeses cultuam antigos deuses celtas, às vezes de forma sincretizada com deidades africanas e mesmo santos católicos.

Ainda há alguns piratas em atividade nas águas costeiras, principalmente nas Bahamas. Não se atrevem a atacar navios luso-brasileiros armados, mas podem tomar pequenos barcos como presa.

História

Roderico ou Dom Rodrigo, o último rei visigodo da Hispânia, foi vencido na batalha de Guadalete pelo general árabe Tarik ibn Ziad no ano de 711 e em 713 foi morto na batalha de Segoyuela, abrindo o caminho para a conquista de quase toda a Península Ibérica pelos muçulmanos, que a dominariam por séculos.

Em 714, porém, na tentativa de fugir ao domínio mouro, sete bispos embarcaram da costa ocidental da Península com um grupo de fidalgos para tentar alcançar uma terra extremamente fértil que existiria, segundo documentos deixados por antigos mercadores cartagineses, do outro lado do Atlântico. Seus contemporâneos não mais ouviram falar deles e julgaram que haviam se perdido no Mar Oceano.

Na realidade do Brasil dos Outros 500, as sete frágeis galeras, apesar de mal adaptadas para a navegação em alto mar, conseguiram depois de seis semanas, graças a ventos excepcionalmente favoráveis, alcançar uma ilha chamada pelos nativos de Quisqueya ou Haiti (Hispaniola), que identificaram com legendária Antilha, onde desembarcaram cerca de trezentos colonos famintos, mas vivos e bem armados, trazendo alguns cavalos, éguas, bois e vacas.

Explorações posteriores fizeram-nos descobrir a leste a ilha de Borinquén (Porto Rico), que chamarm de Roullo; a noroeste a ilha de Cubanacán (Cuba), que chamaram de São Atanagio e a sudoeste a ilha de Jamaica, que chamaram de Tanmar. Cada um dos sete bispos fundou uma cidade – Anna, Antioul, Anselli, Anseto, Ansolli, Ansoldi e Cori – e, seja para que nenhum dos seus pensasse em retornar à Espanha, seja por que os materiais eram necessários à sua sobrevivência no local, acabaram as embarcações e seu cordame e lá permaneceram.

Gradualmente, os antilhanos dominaram ou absorveram os nativos e deram início a uma nova nação, que colonizou as ilhas vizinhas. Contatos voluntários ou acidentais com as civilizações nativas do continente – os toltecas no vale do México, os maias na América Central e o império Tiwanaku-Wari nos Andes – resultaram na difusão pelo continente da escrita, da roda, da criação de gado, da equitação e de técnicas metalúrgicas, agrícolas e militares, acelerando o desenvolvimento das culturas indígenas.

Entre 1000 e 1300, os antilhanos chegaram a dominar a península que chamaram de Florida e a bacia do Orenoco em busca de suas reservas de ouro e ferro, mas fracassaram na sua tentativa de invadir o Iucatã e dominar os maias. Em 1310, porém, a rebelião dos nativos da região do Orenoco resultou no surgimento de uma nova civilização indígena no Planalto das Guianas, o império de Manoa. Quando os portugueses fizeram seu primeiro contato com civilizações americanas estas, de modo geral, já estavam em plena idade do Bronze e já conheciam o ferro, embora os antilhanos conseguissem manter o monopólio de sua fabricação.

Em 1458, um navio português, arrastado por uma tempestade, chegou a Antilha, perto de Anseto. Quando os marinheiros desembarcaram, foram levados pelos habitantes da ilha a seu templo, onde verificaram que eram cristãos, observavam o cerimonial romano e possuíam ouro em abundância. Os nativos lhes pediram que não partissem antes da chegada de seu senhor, então ausente, que os receberia principescamente e lhes ofereceria muitos presentes. Mas o capitão e os marinheiros, pensando que aquela gente não queria ser conhecida e que assim pudesse queimar o seu navio, retornaram a Portugal com a esperança de serem recompensados pelo infante D. Henrique. Mas este os admoestou severamente e ordenou que retornassem à ilha. Porém o capitão, amedrontado, fugiu com o navio e seus homens.

O isolamento de Antilha em relação à Europa, porém, estava com os dias contados. Em 12 de outubro de 1482, Salvador Fernandes Zarco, o Colombo, redescobre a ilha de Antilha à qual Gonçalo Velho Cabral acidentalmente aportara e estabelece relações com o rei Witiza V.

Em 1483, a segunda expedição de Colombo descobre as costas do continente que se estende a oeste de Antilha e o poderoso Império Méxica, governado então pelo tlatoani Ahuízotl. Em 1487, enquanto outros navegadores começam a estabelecer missões comerciais e diplomáticas junto a Witiza e Ahuízotl, sua terceira missão explora as costas atlânticas do novo continente até chegar à Patagônia, no extremo Sul. Após esse extenso mapeamento, o novo continente (chamado de Caritaba pelos nativos de Quisqueya) passa a ser conhecido com o nome de Colômbia.

A conservadora estrutura de poder de Antilha, porém, retardou a absorção de novas tecnologias, o que rapidamente desequilibra a balança do poder no mar do Caribe. A partir de 1488, o monopólio antilhano do ferro é rompido pelo comércio português e em 1502, os méxicas, contando com novas armas e técnicas de navegação, conquistam a Florida aos antilhanos e fazem uma tentativa de invadir Cubanacán. Em 1504, o ameaçado rei antilhano pede ajuda aos portugueses que, estabelecidos em Santa Cruz desde 1500, já virtualmente anexado Manoa. O império português dissuade os méxicas de invadir o reino antilhano, informalmente colocado sob sua proteção em troca da anexação das Pequenas Antilhas, Trindade e Tobago.

A decadência do que restava de Antilha foi interrompida com a ascensão de Eurico III em 1510 que, para restaurar a prosperidade do reino, estimulou a importação de escravos africanos e o plantio de açúcar e algodão para atender à demanda européia, apesar de sua dependência da marinha mercante portuguesa colocá-lo em desvantagem relativamente à colônia de Santa Cruz.

O Papa procurou reincorporar os antilhanos à Igreja Católica, mas fracassou: o conservador clero antilhano, aferrado às crenças e costumes da baixa Idade Média e suas liberdades tradicionais (incluindo, por exemplo, a não-obrigatoriedade do celibato), recusou a ortodoxia da Contra-Reforma e manteve sua independência.

Em 1590, porém, a guerra entre Portugal e as potências européias virtualmente bloqueia o comércio transatlântico de Antilha, que sob o rei Recesvinto II, praticamente se isola do resto do mundo e regride ao tradicionalismo de seus antepassados. O comércio internacional é rigidamente controlado e submetido a pesadas taxações; as armas de fogo são proibidas. À margem dos conflitos internacionais, Antilha sobrevive como um reduto da Idade Média em pleno século XVIII.